Malta é famosa pela Valeta, pelos Cavaleiros de São João, pelos templos pré-históricos, pelo Hipogeu de Ħal Saflieni, por Mdina, pela Lagoa Azul, por Gozo, pelo mergulho, pelo turismo de língua inglesa, pela história da Segunda Guerra Mundial, pelos cenários de filmagens, pelas festas das aldeias e por uma cultura mediterrânica distinta, moldada por influências europeias, norte-africanas, árabes, italianas e britânicas. É um dos países mais pequenos da Europa, mas a sua história é invulgarmente densa: Malta situa-se no centro do Mediterrâneo, a sul da Sicília, e é constituída sobretudo pelas ilhas de Malta, Gozo e Comino.
1. Valeta
Construída após o Grande Cerco de 1565, a Valeta foi planeada como uma capital-fortaleza e não como uma cidade que cresceu lentamente ao acaso. Os Cavaleiros de São João fundaram-na em 1566 na estreita Península de Sciberras, entre o Grande Porto e o Porto de Marsamxett, conferindo à nova cidade uma das posições mais estratégicas do centro do Mediterrâneo. A sua escala é quase surpreendente: a cidade histórica, classificada pela UNESCO, ocupa apenas cerca de 55 hectares, mas contém mais de 300 monumentos históricos, desde bastiões, portas e albergues a igrejas, palácios, jardins e edifícios militares. É essa densidade que torna a Valeta tão imponente – a história de Malta não está dispersa por uma capital enorme, mas comprimida em ruas íngremes, fachadas de pedra e muralhas voltadas para o porto.

2. Os Cavaleiros de São João
A imagem fortificada de Malta foi em grande parte criada durante o domínio dos Cavaleiros de São João. A ordem chegou em 1530, quando o Imperador Carlos V lhe concedeu Malta, Gozo e Trípoli, e permaneceu nas ilhas até as forças de Napoleão tomarem Malta em 1798. Durante esses 268 anos, os Cavaleiros transformaram uma pequena ilha do centro do Mediterrâneo num bastião fortemente defendido. O seu domínio deixou bastiões, fortes marítimos, torres de vigia, igrejas, palácios, hospitais e espaços urbanos planeados, sobretudo em redor do Grande Porto. O Grande Cerco de 1565 tornou-se o ponto de viragem dramático: após resistirem ao ataque otomano, os Cavaleiros fundaram a Valeta em 1566 como uma nova capital-fortaleza construída para a defesa, a administração e o prestígio. O seu legado explica por que razão Malta parece tão diferente de muitas outras ilhas mediterrânicas. A Valeta, Birgu, Senglea, Cospicua, o Forte de Santo Elmo, o Palácio do Grão-Mestre, a Concatedral de São João e o antigo hospital conhecido como Sacra Infermeria pertencem todos a este mundo cavaleiresco de religião, guerra, medicina e estratégia marítima.
3. Templos megalíticos
Muito antes de os Cavaleiros construírem a Valeta ou de os britânicos transformarem Malta numa base naval, as ilhas já possuíam uma das mais notáveis culturas pré-históricas do Mediterrâneo. Os templos megalíticos de Malta foram construídos sobretudo entre cerca de 3600 e 2500 a.C., o que os torna mais antigos do que Stonehenge e, em alguns casos, mais antigos do que as pirâmides do Egito. O conjunto de templos classificado pela UNESCO inclui locais importantes em Malta e Gozo, como Ġgantija, Ħaġar Qim, Mnajdra, Tarxien, Ta’ Ħaġrat e Skorba. Os seus enormes blocos de calcário, paredes curvas, absides, altares, decoração esculpida e posicionamento cuidadoso revelam uma sociedade capaz de uma arquitetura ritual complexa milhares de anos antes de a história escrita chegar às ilhas.
Estes templos conferem a Malta uma profundidade que a sua reduzida dimensão torna fácil subestimar. Ġgantija, em Gozo, é especialmente impressionante: o seu nome deriva da palavra maltesa para “gigante”, refletindo a antiga crença de que pedras tão enormes não poderiam ter sido movidas por pessoas comuns. Ħaġar Qim e Mnajdra, situados sobre o mar na costa sul de Malta, ligam a arquitetura pré-histórica à paisagem, à luz e aos alinhamentos sazonais. Tarxien acrescenta mais uma camada através de espirais esculpidas, relevos de animais e vestígios de atividade ritual.

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4. Hipogeu de Ħal Saflieni
Sob a cidade de Paola, o Hipogeu de Ħal Saflieni revela uma faceta de Malta ainda mais antiga do que os seus famosos templos e cidades fortificadas. Este complexo subterrâneo foi escavado em calcário mole e utilizado ao longo de um extenso período da pré-história maltesa, aproximadamente entre 4000 a.C. e 2500 a.C., segundo a UNESCO. Não era uma simples gruta ou espaço de armazenamento, mas um mundo subterrâneo cuidadosamente moldado, com câmaras, passagens, degraus, portais e formas arquitetónicas esculpidas. Os arqueólogos estimam que terá contido os restos mortais de cerca de 7000 pessoas, o que faz dele um dos mais extraordinários locais de sepultamento pré-históricos da Europa.
O que torna o Hipogeu tão invulgar é a forma como leva a arquitetura para o subsolo. Os seus três níveis incluem espaços que imitam estruturas de pedra construídas, conservando algumas áreas ainda a decoração em ocre vermelho. O local demonstra que a Malta pré-histórica possuía uma cultura ritual complexa, capaz de planear, esculpir, organizar e utilizar espaço sagrado sob a superfície.
5. Mdina
Por detrás das suas altas muralhas, no centro de Malta, Mdina parece deliberadamente afastada dos movimentados portos e das localidades costeiras da ilha. O local está habitado há milhares de anos, e a sua importância cresceu devido à sua posição no interior, num dos pontos mais altos de Malta, com amplas vistas sobre a ilha. Muito antes de a Valeta se tornar capital, Mdina servia de centro político e nobre de Malta, moldada por influências romanas, árabes, medievais, normandas e, mais tarde, aristocráticas.
A alcunha “Cidade Silenciosa” assenta-lhe bem, porque Mdina funciona mais pela atmosfera do que pela escala. Há poucos automóveis, as ruas são fechadas e sinuosas, e as pálidas muralhas de calcário transformam a cidade num mundo compacto de sombras, varandas, portais e cúpulas de igrejas. O portão principal, a Catedral de São Paulo, o Palácio Vilhena e as antigas casas nobres conferem-lhe uma elegância formal, enquanto as vistas a partir dos bastiões recordam aos visitantes porque é que este bastião do interior foi importante durante séculos.

Berthold Werner, CC BY-SA 3.0 https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0, via Wikimedia Commons
6. A Lagoa Azul e Comino
Entre Malta e Gozo, Comino oferece às ilhas maltesas a sua imagem mais famosa de água cristalina. A ilha é minúscula – cerca de 3,5 quilómetros quadrados – mas a Lagoa Azul, entre Comino e o ilhéu de Cominotto, tornou-se um dos símbolos visuais mais fortes de Malta. As suas águas turquesa pouco profundas, o fundo claro, as margens rochosas e as zonas de banho abrigadas tornam-na instantaneamente reconhecível na fotografia de viagens, sobretudo no verão, quando os barcos chegam tanto de Malta como de Gozo. O cenário é simples, mas muito eficaz: calcário, mar, luz do sol e um estreito canal de água que, visto de cima, parece quase irreal. O encanto de Comino não assenta numa grande história, como acontece com a Valeta ou Mdina. Representa a faceta natural e recreativa de Malta: passeios de barco, natação, snorkeling, mergulho, canoagem e vistas costeiras rochosas. A ilha faz também parte da mais ampla identidade de mergulho de Malta, com boa visibilidade, grutas, recifes e destroços de naufrágios por todo o arquipélago.
7. Gozo
Uma curta travessia de ferry a partir de Malta basta para mudar o ritmo do arquipélago. Gozo é mais pequena, mais verde e menos urbana do que a ilha principal, com cerca de 67 quilómetros quadrados de campo, aldeias, falésias, baías e cúpulas de igrejas dispersos por uma paisagem mais aberta. A sua história também não é secundária: Ġgantija, um dos complexos de templos pré-históricos da ilha, integra os Templos Megalíticos de Malta classificados pela UNESCO e remonta a mais de 5000 anos.
O encanto de Gozo resulta da variedade e não de um único marco. Victoria e a Cidadela dão à ilha um centro histórico, Dwejra continua famosa pela espetacular paisagem costeira mesmo depois de a Janela Azul ter ruído em 2017, e locais como a Baía de Ramla, Xlendi, Marsalforn e o Mar Interior associam a ilha a praias, mergulho, passeios de barco e vistas para o mar.

8. Águas cristalinas, mergulho e paisagem costeira
A costa de Malta não é sobretudo famosa por intermináveis praias de areia; o seu encanto é mais agreste e dramático. As ilhas são feitas de enseadas rochosas, falésias de calcário, grutas marinhas, recifes, piscinas naturais e água tão cristalina que os barcos parecem muitas vezes flutuar sobre o fundo do mar. Esta geografia confere a Malta uma forte identidade de mergulho e snorkeling, com mais de 120 locais de mergulho em redor do arquipélago. Entre as zonas mais populares contam-se Cirkewwa, Comino, Gozo, a costa da Gruta Azul e vários locais de naufrágios perto da ilha principal, onde a visibilidade subaquática é uma das principais atrações.
Essa imagem costeira é importante porque equilibra a densa vertente histórica de Malta. A Valeta, Mdina e os templos mostram as ilhas como um lugar de pedra, fortificações e arqueologia; o mar revela uma versão mais livre e luminosa do mesmo país. Os visitantes procuram passeios de barco, banhos em grutas, mergulhos em recifes, mergulho em naufrágios, canoagem, vistas das falésias e curtas travessias entre Malta, Gozo e Comino.
9. A língua inglesa e o legado britânico
Malta soa de forma diferente de quase qualquer outro lugar do Mediterrâneo. O maltês é uma língua semítica com raízes no árabe medieval, mas séculos de influência siciliana, italiana e, mais tarde, inglesa moldaram o seu vocabulário e a sua forma escrita. É também a única língua semítica oficialmente escrita no alfabeto latino. O inglês enraizou-se profundamente durante o domínio britânico, que durou desde o início do século XIX até à independência em 1964, e continua a ser uma das duas línguas oficiais de Malta, a par do maltês. Esta mistura linguística é uma das maiores vantagens modernas de Malta. O inglês é amplamente utilizado na educação, no turismo, na administração, nos meios de comunicação e na vida profissional, o que torna as ilhas mais fáceis de percorrer para muitos visitantes do que a maioria dos destinos mediterrânicos. Também ajudou Malta a tornar-se um importante centro de aprendizagem da língua inglesa, atraindo estudantes da Europa, do Norte de África, da América Latina e da Ásia.

Alan C. Bonnici, CC BY-SA 3.0 https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0, via Wikimedia Commons
10. A Segunda Guerra Mundial e a Cruz de Jorge
A história moderna de Malta foi dramaticamente moldada pela Segunda Guerra Mundial. A sua posição entre a Sicília, o Norte de África e o centro do Mediterrâneo fez das ilhas uma base aliada crucial, mas também as expôs a intensos bombardeamentos e a um bloqueio. Entre 1940 e 1942, Malta tornou-se um dos lugares mais atacados da Europa, com portos, aeródromos, cidades e rotas de abastecimento sob pressão constante. O Grande Porto, já central na história militar anterior de Malta, transformou-se numa linha de vida em tempo de guerra, enquanto os abrigos subterrâneos, as defesas costeiras e os túneis militares tornaram a sobrevivência quotidiana parte da memória nacional da ilha.
A Cruz de Jorge fixou essa memória na identidade de Malta. O Rei Jorge VI atribuiu-a à ilha em 15 de abril de 1942, em reconhecimento da coragem demonstrada pelo seu povo, e o símbolo foi mais tarde incorporado na bandeira nacional. Isto torna Malta invulgar: um dos seus mais importantes emblemas nacionais provém diretamente da resistência civil e militar durante a guerra. Hoje, a história continua visível no Museu Nacional da Guerra, situado no Forte de Santo Elmo, nas Salas de Guerra de Lascaris, nos abrigos antiaéreos, nos memoriais, nos cemitérios e nas fortificações do porto.
11. Cenários de filmagens
Malta tornou-se um cenário de filmagens útil para histórias passadas muito para lá das suas próprias costas. Os seus fortes de calcário, muralhas portuárias, ruas antigas, paisagens áridas e distâncias reduzidas permitem aos cineastas transformar uma pequena ilha na Roma antiga, em Tróia, em cidades medievais, em portos do Mediterrâneo oriental ou em reinos inventados. O Forte Ricasoli é o exemplo mais claro: este forte do século XVII, situado à entrada do Grande Porto, foi utilizado em produções como Gladiador, Tróia, A Guerra dos Tronos, Napoleão e Gladiador II. Para grandes filmes históricos, Malta oferece algo difícil de construir de raiz – pedra verdadeira, luz intensa, fortificações voltadas para o mar e uma arquitetura militar que já tem, por si só, um carácter cinematográfico.
Esta identidade cinematográfica não é tão fundamental como a Valeta, os Cavaleiros ou os templos pré-históricos, mas tornou-se uma parte real da imagem internacional de Malta. As ilhas funcionam frequentemente diante das câmaras porque são visualmente flexíveis: um forte pode sugerir Roma, outro porto pode transformar-se numa cidade mediterrânica diferente, e uma rua estreita pode ser enquadrada como um cenário histórico ou de fantasia. Produções como O Conde de Monte Cristo, Munique, Guerra Mundial Z e a primeira temporada de A Guerra dos Tronos também recorreram às ruas, fortes e paisagem costeira de Malta.

Mike McBey, CC BY 2.0 https://creativecommons.org/licenses/by/2.0, via Wikimedia Commons
12. As festas maltesas e o fogo de artifício
Quando chega o verão, as aldeias de Malta começam a disputar as atenções através do som, da luz e da devoção. Uma festa é normalmente dedicada ao santo padroeiro da paróquia, mas é também um acontecimento de toda a comunidade: as fachadas das igrejas enchem-se de luzes e estandartes, as ruas preenchem-se de estátuas e decorações, as bandas filarmónicas conduzem os desfiles, as famílias reúnem-se na rua e o fogo de artifício assinala a celebração a partir do chão e do céu. A Festa da Aldeia Maltesa foi inscrita na lista do património cultural imaterial da UNESCO em 2023, o que reflete o quão centrais estas celebrações são para a identidade local, e não apenas para o turismo.
13. A gastronomia maltesa
Em Malta, a comida assemelha-se muitas vezes à própria ilha: pequena em escala, mas cheia de cruzamentos. As tradições sicilianas da massa, os sabores norte-africanos, os hábitos britânicos e a cozinha caseira mediterrânica mais antiga encontram-se todos em pratos práticos, mais do que ostentosos. Os pastizzi são o ícone do dia a dia – folhados estaladiços normalmente recheados com ricota ou puré de ervilhas – enquanto o guisado de coelho, conhecido como stuffat tal-fenek, é um dos pratos principais mais tradicionais do país. O peixe lampuki surge sazonalmente em empadas e refeições de marisco, os queijinhos ġbejniet são feitos de leite local de ovelha ou de cabra, e a bigilla, preparada com favas, alho e ervas aromáticas, mostra como ingredientes simples passaram a fazer parte da cultura de mesa maltesa.
O pão confere a esta gastronomia uma das suas identidades mais nítidas. A ftira, o pão maltês achatado de massa lêveda, foi inscrita na lista do património cultural imaterial da UNESCO em 2020, refletindo o seu papel na alimentação diária e não na gastronomia de luxo. Pode ser recheada com atum, tomate, azeitonas, alcaparras, cebola e azeite, transformando ingredientes locais de despensa numa refeição adequada ao clima e às tradições de trabalho da ilha.

Renata Apan, CC BY-SA 4.0 https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0, via Wikimedia Commons
14. A identidade compacta de Malta enquanto ilha
A maior surpresa de Malta é a quantidade de coisas que comprime num espaço muito reduzido. Todo o país ocupa apenas cerca de 316 quilómetros quadrados, mas dentro dessa área alberga três bens classificados como Património Mundial da UNESCO, templos pré-históricos mais antigos do que Stonehenge, uma capital fortificada fundada pelos Cavaleiros de São João em 1566, a medieval Mdina, abrigos da Segunda Guerra Mundial, aldeias piscatórias, igrejas barrocas, enseadas rochosas, cenários de filmagens e mais de 120 locais de mergulho. Esta compacidade confere a Malta um carácter que os países maiores não conseguem copiar facilmente. Não oferece as vastas paisagens da Itália, da Grécia ou da Turquia, mas transforma as curtas distâncias numa vantagem: uma manhã na Valeta pode dar lugar a uma tarde entre templos megalíticos, a um pôr do sol em Mdina ou a um passeio de barco rumo a Comino e Gozo no dia seguinte.
Se ficou tão fascinado por Malta como nós e está pronto para fazer uma viagem a Malta – veja o nosso artigo sobre factos interessantes sobre Malta. Verifique se precisa de uma Licença Internacional de Condução em Malta antes da sua viagem.
Publicado Maio 24, 2026 • 13m de leitura